23 meses e 3 dias no inferno - 19º

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19º Capítulo

Saiu, batendo os pés e resmungando para meu marido: tá vendo ela me pois pra fora, não tem sentido de família, onde já se viu fazer isto, justo com a gente, sempre fomos tão unidos…
É, mas união de família não significa que meu marido tenha que ser coletivo, e suprir a vontade que ela tem.
Este não foi o problema maior, na confusão esquecemos o rebento, que depois, só depois, muito depois, resolveu sair da frente da televisão e dar o ar da graça perguntando pela mamãe. Como ficamos no quintal, nos assustamos. E meu marido mais uma vez foi o salvador da pátria e foi "devolver" o entulho. Parece pecado falar assim de uma criança que na época tinha somente 6 anos, mas esta conseguia, muitas vezes, ser pior que a mãe. E no meu estado psicológico não tinha mais paciência para contornar nada.
E o tempo passou novamente, outubro..., novembro..., dezembro..., e finalmente chegou janeiro.
Desta vez em dezembro ela não apareceu, mas cada vez que meu marido saia, encontrava com ela, e tinha alguma queixa, ou tristeza, ou saudade, ou qualquer coisa que ela inventasse para parar com ele e ficar falando aos cochichos. Coisa que as carolas adoravam. E já corria pela cidade que meu marido tinha um caso com ela, e como são minhas amigas vieram me contar. O que elas não sabiam é que ele me contava tudo e já havia me prevenidos. Inclusive o fato de permitir que fizesse seu ouvido de pinico era em consideração à velha e boa união da família. Pois todos sabiam que se tratava de uma louca, mal amada.
E tudo isto porque o verdadeiro inferno ainda não começou...


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